28 de dezembro de 2014

Goianos veem evasão de destaques

Goiás, Atlético e Vila Nova perderam, ao fim desta temporada, pelo menos uma promessa. A saída precoce de jovens talentos dos clubes goianos não é inédita. O argumento dos dirigentes é sempre a questão financeira: os clubes têm dificuldade de cobrir ofertas de times de fora e, ao mesmo tempo, veem a negociação como oportunidade única de fazer caixa.

Assim, os garotos que se destacam, sejam das categorias de base ou não, dificilmente permanecem no Estado. Thiago Mendes, volante revelado pelo Goiás que foi vendido ao São Paulo recentemente, é um desses casos. Assim como Leonardo, que o Vila Nova negociou com o Cruzeiro, almejando quitar dívidas com o valor dele.

No Atlético, a joia perdida teve ainda menos espaço que os outros dois. O zagueiro Victor Oliveira, que veio para o Atlético depois de passar pela base do Corinthians, nem precisou de muito para ser visto pelo Fluminense, que o levou sem pagar muito ao rubronegro, já que o jogador tinha salários atrasados e o direito de pedir a rescisão por via jurídica.

E ele não foi o único. No ano passado, o Dragão chegou a dispensar o garoto Luciano, que este ano teve destaque no Corinthians. Mesmo com casos como este, em que os talentos não são identificados, os dirigentes goianos apontam como principal motivo para a evasão o fator financeiro.

A diretoria atleticana indica ainda outro fator: a legislação, que estaria privilegiando os empresários. “Eu acho que o clube formador tinha de ter alguns direitos. Tem de mudar a legislação para o clube que realmente revelou o jogador ter um direito maior sobre futuras negociações e ser mais privilegiado para ele ter poder de investimento e, até, para criar vínculo maior e o atleta ser menos nômade”, avalia o diretor de futebol do Dragão, Adson Batista. Para ele, se há identificação entre jogador e clube é mais possível manter os que se destacarem.

Ao contrário de histórico passado, quando o Atlético revelava jogadores, como Romerito, Lindomar, Relber e Babau, por exemplo, hoje o clube aproveita pouco os jogadores de sua base. O último a fazer carreira por lá é o questionado Diogo Campos, cujo contrato termina em maio de 2015. Adson acredita que o problema é o fraco poder de investimento no setor. “O Atlético tem condições razoáveis (na base), mas não revela muito, por investir pouco.”